A cabeça do santo foi a leitura escolhida para os dois clubes do livro que me propus a participar este ano: o da blogagem coletiva Entreblogs, e do The Kitties (sim, endoidei de vez).

Título: A cabeça do santo
Autora: Socorro Acioli
Páginas: 176
Editora: Companhia das Letras
Sinopse de A cabeça do santo
Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.
Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.
Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele ainda irá se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.
Já consagrada por seus livros infantojuvenis, a escritora Socorro Acioli apresenta este seu primeiro romance dirigido ao público adulto, desenvolvido na oficina Como Contar um Conto, promovida por Gabriel García Márquez em Cuba.
Minhas impressões
Escutei falar muito sobre esse livro no último ano, mas nunca me interessei. Confesso que por pura ignorância, pois não havia sequer lido a sinopse, apenas conhecia o título e imaginava que seria uma história extremamente chata. Quando foi sugerido como primeira leitura da blogagem coletiva, não me interessei em ler. Porém, poucos dias depois, a Lorena (fundadora do The Kitties) falou nos stories que começaria um clube do livro, que essa seria a primeira leitura, e contou um pouco sobre como era legal e fácil… e aí sim eu decidi dar uma chance.
Fico feliz em ter deixado a ignorância de lado e me permitido ler essa obra, porque ela é sensacional! De fato, é muito tranquilo de ler, não só por ser um livro pequeno, mas pela escrita envolvente de Socorro.
No início, já fui imaginando a história como um filme gravado no estilo plano sequência. Depois de um certo ponto, isso já não é possível porque a história para de ser contada de forma linear, mas seria bacana se a adaptação (que irá acontecer) fosse assim.
Eu já conhecia a história da “cabeça do santo da vida real”. É uma estátua de Santo Antônio que foi construída na cidade de Caridade, no Ceará, porém fora inacabada e a cabeça (gigantesca e assustadora) ficou no chão da cidade, separada do corpo, por quase 40 anos. Somente em 2025 a cabeça foi instalada ao corpo, o que eu acho uma pena já que ela, por si só, havia virado um ponto turístico.

Achei muito bacana a autora trazer esse fato real como pano de fundo para uma história fictícia.
Voltando ao enredo, aqui acompanhamos Samuel, o homem que tem o dom de ouvir as preces das mulheres à Santo Antônio mas, ironicamente, não acredita nem em santo, nem em milagre, nem nada do tipo. Samuel lembra muito meu namorado. Ele é daqueles que não acredita em nada, mas vez ou outra, alguns acontecimentos da vida fazem ele dizer “às vezes é difícil ser ateu…”.
Apesar de ter uma vida sofrida, vejo Samuel como uma pessoa engraçada, que é meio “nem aí” pra tudo, sabe? Esse desprendimento dele torna a história bem legal, e diversos diálogos engraçados acontecem.
— Não chama o santo de diado, homem, é pecado.
— E ler revista de mulher nua na cabeça do santo, é pecado não?
O início do livro é bem envolvente e o ritmo da história é bacana. Depois da metade, senti que o enredo passou a ser mais corrido, como se um acontecimento fosse atropelando outro e isso fez com que eu perdesse um pouco o encanto, apesar de, ao final, o ritmo voltar a ser mais tranquilo.
É muito interessante como a individualidade da fé é abordada aqui. De forma bem sutil, podemos ver como cada pessoa acredita em coisas diferentes e o que as faz pensar da forma como pensam. É uma reflexão curiosa.
“As crianças menores iam nos braços, a maior ia a pé e aceitava a penitência, talvez sem saber que ainda não devia nada a santo algum.”
Há muito tempo eu não lia uma história que me fazia destacar tantos trechos como essa. Neste livro temos muitas frases de efeito, trechos que nos fazem refletir e situações engraçadas (mas nada exagerado).
A cabeça do santo é uma história de fácil leitura e envolvente. Creio que seja uma ótima opção para sair da ressaca literária ou para cumprir aquela sensação de obrigação de “li mais um livro”. Divertida na medida e emocionante também (chorei no final). Recomendo!
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“Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.”



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