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Resenha: Bons tempos

Essa foi a leitura de outubro do The Kitties Book Club: Bons tempos. Uma história com premissa interessante, porém, que deixou a desejar no final.

Capa do livro Bons tempos

Título: Bons tempos
Título original: Yesteryear
Autora: Claro Claire Burke
Páginas: 368
Editora: Rocco

Sinopse de Bons tempos

Uma esposa tradicional e mãe norte-americana acorda, de repente, suja, com frio, num lugar que se parece com sua casa e ao lado de pessoas que dizem ser sua família, mas presa à brutal realidade de 1855. Agora, ela precisa desvendar se esse pesadelo é uma farsa elaborada, um bizarro reality show ou algo muito mais sinistro.

Natalie tem tudo: sua fé imovível, uma linda fazenda digna de Hollywood, seis filhos disputando sua atenção e um marido que, pelo menos, fica bem de botas de caubói. Não importa tanto o fato de que ela também tem babás e produtores atuando nos bastidores de sua vida perfeita, de que sua cozinha rústica esconde geladeiras e fornos industriais, nem de que seu marido é um herdeiro sem muitas habilidades. Eles são 100% tementes a Deus – se Ele proveu, ela fez por merecer!

Não é de se admirar, portanto, que seus milhões de seguidores desejem a vida dela. Natalie lhes oferece o que eles mais querem: um mundo ideal. Escândalos são varridos para debaixo do tapete, onde devem ficar. E as “mulheres raivosas”? As elites privilegiadas da costa leste com diplomas da Ivy League que a chamam de iconoclasta antifeminista? Estão, todos eles, morrendo de inveja. Porque Natalie não apenas leva uma vida boa, ela tem a vida perfeita – e, por acaso, está usando isso para construir um império.

Até que um dia ela acorda e se depara com uma realidade que não é a sua, apesar de parecer. A casa, o marido, os filhos – todos estão ali, mas algo está errado. Não há eletricidade, as crianças estão sujas e seu marido, antes um mauricinho inútil, agora é um fazendeiro idôneo. Se no dia anterior Natalie estava posando com potes de geleia caseira para o Instagram, agora precisa carregar lenha e lavar roupa à mão até seus dedos sangrarem.

Teria ela se transformado, sem saber, na estrela do próprio reality show? Viajado no tempo? Está sendo testada por Deus? Pelo Diabo? E se, de repente, Nat realmente tiver que viver a vida que sempre fingiu ter? Seja qual for o motivo, essa não é a vida perfeita pela qual ela tanto batalhou – e da qual agora precisa escapar.

Uma estreia arrebatadora e eletrizante, um romance tão engraçado quanto assustador, Bons tempos é um olhar perspicaz sobre tradição, fama, fé e a grande performance que é a feminilidade.

Minhas impressões

Antes de iniciar a leitura, uma das meninas do clube havia mandado uma mensagem no grupo perguntando se essa personagem tinha sido inspirada na Virgínia e, quando comecei a ler, não consegui desver a semelhança.

Como citei no início do post, a premissa da história é bem legal: uma mulher, que mesmo nos tempos modernos, preza pela tradição (é, inclusive, considerada uma tradwife) e compartilha sua vida perfeita nas redes sociais, como se ela desse conta de tudo, mesmo tendo babás para cuidar das crianças, muitos funcionários e uma família problemática. A ideia de colocar a personagem vivendo uma realidade tradicional, de repente, é muito boa e nos faz criar diversas teorias sobre como isso aconteceu. O problema é o desfecho: nada do que foi imaginado, e algo bem sem sentido.

Natalie tem uma mente bem peculiar e é interessante ver como ela pensa enquanto acompanhamos a história. Ao mesmo tempo que, ela divaga muito, então diversas situações demoram para serem contadas, a leitura vai se tornando monótona e fica aquela impressão de que a autora quis “encher linguiça”.

A história vai alternando a temporalidade: um capítulo conta o momento presente e outro conta o passado da protagonista. Isso deixa a leitura mais dinâmica e interessante. Ver o passado de Natalie me deixou confusa em certo ponto, porque tive a impressão de que, quando mais nova, ela era uma pessoa interessante, com ambições e ideais bacanas e, depois que entrou na faculdade e conheceu pessoas que não pensavam como ela, mudou completamente e entrou nessa pira de querer ser tradwife.

“Pensei que queria o mundo, mamãe. Mas vi o mundo e não quero fazer parte dele.”

Página 99

Ao mesmo tempo, entendo que ela viu um caminho mais “fácil” quando conheceu seu marido e agarrou aquilo. Uma pena que isso destruiu a vida dela.

A personagem tem uma fé forte e, para mim, essa foi a parte mais problemática do livro. Sempre que ela se via em uma situação complicada, tentava atribuir um significado divino àquilo (seja para o bem ou para o mal), o que resultou em situações muito bizarras ao meu ver. Inclusive, dentre as notas que fiz durante a leitura, a última foi: “que PORRA é essa?”, porque achei too much.

No final, cheguei à conclusão de que nenhum personagem presta (com exceção das crianças): a protagonista é uma louca, o marido dela um frouxo, os sogros malucos, a mãe uma tonta, os filhos mais velhos sem coração e por aí vai…

Como falei, o desfecho deixa a desejar e o enredo é um tanto quanto monótono. Até os 85% do livro, mais ou menos, nada de relevante acontece, o que deixa a leitura mais lenta.

De qualquer forma, foi interessante acompanhar essa história, mas certamente, poderia ser melhor!

⭐⭐

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