Mais uma leitura do The Kitties Book Club e, até agora, essa foi a mais difícil para mim. Flores para Algernon foi um dos livros que eu comecei a ler sem saber nada a respeito da história e me surpreendi no caminho (você terá que ler o post completo para saber se foi positivamente ou negativamente).

Título: Flores para Algernon
Título original: Flowers for Algernon
Autor: Daniel Keyes
Páginas: 288
Editora: Aleph
Sinopse de Flores para Algernon
Com excesso de erros no início do romance, os relatos de Charlie revelam sua condição limitada, consequência de uma grave deficiência intelectual, que ao menos o mantém protegido dentro de um “mundo” particular – indiferente às gozações dos colegas de trabalho e intocado por tragédias familiares. Porém, ao participar de uma cirurgia revolucionária que aumenta o seu QI, ele não apenas se torna mais inteligente que os próprios médicos que o operaram, como também vira testemunha de uma nova realidade: ácida, crua e problemática. Se o conhecimento é uma benção, Daniel Keyes constrói um personagem complexo e intrigante, que questiona essa sorte e reflete sobre suas relações sociais e a própria existência. E tudo isso ao lado de Algernon, seu rato de estimação e a primeira cobaia bem-sucedida no processo cirúrgico.
Perturbador e profundo, Flores para Algernon é tão contemporâneo quanto na época de sua primeira publicação, debatendo visões de mundo, relações interpessoais e, claro, a percepção sobre nós mesmos. Assim, se você está preparado para explorar as realidades de Charlie Gordon, também é a chance para perguntar: afinal, o mundo que sempre percebemos a nossa volta realmente existe?
Minhas impressões
A princípio, gostei de ler o livro sem saber sobre o enredo, porque isso possibilitou que eu fosse descobrindo os acontecimentos durante a leitura. A história é contada através dos relatórios que Charlie escreve, e achei a proposta muito legal, principalmente porque a evolução dele fica clara conforme o tempo vai passando, tanto por ele melhorar a escrita quanto por entendermos sua forma de pensar.
Eu não sabia se o experimento daria certo e foi legal ver os pequenos avanços de Charlie, que mostraram o progresso acontecendo pouco a pouco (pensei que nem poderia escrever isso na resenha, mas como a informação aparece na sinopse, me permiti!).
O protagonista tem uma deficiência intelectual grave, com um QI de 68 e isso faz com que muitas pessoas se aproveitem dele e que ele viva meio “alheio” ao mundo, por ser inocente demais. Aqui, tem dois pontos que eu gostaria de comentar.
O primeiro é sobre a forma com que ele é retratado: como uma pessoa retardada e incapaz. Por mais que o livro descreva vivências do personagem e como as pessoas o enxergam, eu me senti um pouco incomodada em certos momentos por achar a abordagem um tanto quanto capacitista, mas entendo que estamos vendo o point of view do próprio personagem e de como ele se sente, além de esse não ser o meu local de fala (mas me incomodou).
O segundo ponto é, uma das integrantes do clube do livro comentou que se irritava por o protagonista ser muito coitadinho (e ele é mesmo), no sentido de, tudo de ruim acontece com Charlie. Porém, eu tenho contato com pessoas com deficiência intelectual e sei que a vida para elas é muito difícil sim. Não importa o quanto de suporte e acesso ela tenha, é impossível blindar alguém da maldade do mundo e das pessoas mal intencionadas, então isso fez com que eu me conectasse muito com o Charlie e criasse um carinho por ele. Sofri todas as vezes que ele relatava alguém o maltratando, me emocionei com a inocência dele e fiquei feliz quando o personagem começou a reparar na malícia das pessoas e se impor.
“Ela disse que para uma pessoa a quem Deus deu tão pouco você fez muito mais do que muita gente com cérebros que nunca usaram. Eu disse que todos os meus amigos são pessoas inteligentes e eles são bons. Eles gostam de mim e nunca fizeram algo que não fosse bom. Então alguma coisa entrou no olho dela e ela teve de correr para o banheiro.”
Em relação ao enredo, a proposta da narrativa é muito legal, a forma com que a história é contada é interessante, mas acho que o desenrolar dos acontecimentos não foi tão cativante e isso fez com que a leitura se tornasse maçante. Sinto que poderíamos ver outras experiências e vivências do Charlie, acompanhá-lo descobrindo o mundo mesmo.
Demorei bastante para ler esse livro, tanto que não fui no encontro de abril do clube do livro pois ainda não tinha finalizado a leitura (fiquei arrasada), e sei que a culpa é da forma como o autor escolheu apresentar os acontecimentos. Como disse anteriormente, outras experiências do Charlie seriam mais legais de ler e poderíamos acompanhar a evolução dele igualmente.
Falando em evolução, senti que tudo era muito 8 ou 80: no começo, ninguém vê o Charlie como uma pessoa capaz, todos se aproveitam dele, ele não entende nada. Depois que ele fica inteligente, passa a ser considerado inteligente demais para tudo e todos. E, gente, as coisas não acontecem assim na vida, sabe? Agora entendo quem disse que não aguentava mais o coitadismo do protagonista, e a culpa é do autor, de não saber equilibrar as coisas, hahaha.
“Quantos grandes problemas permaneceram sem solução porque os homens não sabiam o suficiente, ou não tinham fé suficiente no processo criativo e neles mesmos, a fim de libertar a mente inteira para trabalhar nisso?”
Quando finalmente terminei o livro, me senti insatisfeita com o final. Aqui, acho que não cabe contar o porquê, para não dar spoiler.
Sei que muitas pessoas amam esse título mas, honestamente, não me prendeu. Gostei da ideia, das críticas, da forma de contar a história, mas o enredo em si deixou a desejar, bem como a conclusão.
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