Há um tempo tenho esse tema anotado no meu banco de ideias para escrever sobre, e acredito que esse é o momento (afinal, hoje é dia dos professores).
Acho que todas as pessoas tem, pelo menos, um professor que foi marcante na vida, e isso pode acontecer por diversos motivos. Eu me lembro de (quase) todos os professores que tive na escola, e tenho uma lembrança/carinho em especial por alguns, que tem algo em comum: gentileza.
Na pré-escola eu já aprendi a ler e escrever. Minha professora se chamava Liliana e era uma fofa! Tive aula com ela por uns 2 ou 3 anos e foi ela que me ensinou a escrever. Porém, eu tinha uma dificuldade: separar sílabas. Quer dizer… eu até sabia separar, mas nem sempre do jeito certo.
Certa vez, fui “cortar uma palavra ao meio” quando estava escrevendo um texto e o espaço da linha acabou. Não lembro qual era a palavra exatamente, mas sei que ela tinha duas letras S repetidas. Suponhamos que a palavra era assustar, e eu escrevi assim:
Ass-
-ustar.
A Liliana poderia ter me corrigido de diversas formas, mas o que ela me disse foi: “Quando as letras são irmãs gêmeas, elas não podem passar muito tempo juntas, se não começam a brigar. Então, quando você for separar uma palavra que tem duas letras iguais, nunca deixe as irmãs juntas”.
E eu nunca mais errei. Além de educada, ela foi lúdica.
Por volta a quinta ou sexta série, um problema gravíssimo me assombrava: eu ainda não sabia como usar a palavra “porque”. É junto? É separado? Leva acento ou não? Eram tantas variações e eu não conseguia lembrar quando usar cada uma delas.
Certo dia, tive aula de história com uma professora que era substituta e nunca tinha dado aula para a minha turma. Na hora de fazer os exercícios, fui justificar uma resposta e não fazia ideia de como usar a palavra “porque”. Então, copiei a forma que ela aparecia na pergunta! Se a pergunta terminava com “por quê?”, a minha resposta também poderia começar dessa forma, certo? Errado!
Quando peguei meu caderno de volta com o exercício corrigido, não havia nenhuma nota da professora ou grandes correções. A minha resposta estava boa (e certa). Mas, na palavra “por quê” tinham duas sutis marcações, feitas em caneta vermelha: uma linha abaixo da palavra que unia o “por” e o “quê”, e um risco em cima do acento.
A resposta não foi considerada errada e nem “meio certa” por conta desse erro e a correção foi feita de forma tão delicada, que dali em diante eu aprendi como e quando usar a palavra que, até então, me assombrava.
Já na sétima série, a professora Jô nos dava aula de português. Ela era super legal e tinha um jeito único de ensinar. Um dia ela nos ensinou, de uma vez por todas, a maneira correta de dizer a palavra “cabeleireira” que parecia um trava-línguas!
A palavra vem de cabeleira. Logo, mantemos a estrutura da palavra original: CABELEIR e adicionamos o final, repetindo a última consoante: EIRA.
Não se diz “cabeleleira” porque na palavra “cabeleira” o I já aparece após o L, e depois o L não se repete.
Cabeleira
Cabeleireira
E, novamente, eu nunca mais errei.
Todas essas professoras me ensinaram de forma gentil. Sem brigar, sem dizer que estou errada, sem tirar nota por isso. Elas também foram didáticas e, em alguns casos, lúdicas. E é por isso que eu aprendi tão bem e levo essas situações com carinho até hoje.
Eu aprendo melhor com pessoas gentis & lúdicas, e acredito fielmente que esse é o caminho de ensinar e aprender. Na faculdade, fiz um TCC sobre ludicidade, e como professora, só ensino assim também.
O mundo está cheio de professores, mas nem todos ensinam de maneira positiva. Aprender se divertindo é uma das melhores coisas do mundo, e eu espero que um dia todos notem isso.
Feliz dia dos professores!

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