A primeira vez que tive contato com o efeito borboleta & ancestralidade

Eu sei que você esperava TUDO sobre esse post, MENOS que ele seria sobre uma música do Palavra Cantada.

Sempre gostei muito da música “Eu”. Lembro que, do DVD que tinha quando criança, essa era uma das minhas favoritas, e eu assistia várias e várias vezes. Adorava o fato de a música contar uma história que é finalizada na vida atual do cantor. Era muito legal ver a grande maquete que ilustra o clipe e os bonequinhos ganhando vida, Paulo Tatit cantando apenas com um violão e, claro, a letra, que eu sabia todinha!

Hoje em dia, quando estou trabalhando, acabo escutando playlists nostálgicas. Vou de RBD à Eliana (isso já até virou vídeo viralizado no TikTok). E, em uma dessas sessões de nostalgia, lembrei dessa música. Abri o YouTube e pesquisei também a letra, para ver o quanto eu ainda me lembro — até que bastante coisa! Foi aí que reparei na letra com um olhar mais profundo…

Perguntei pra minha mãe
Mãe, onde é que ocê nasceu?
Ela então me respondeu
Que nasceu em Curitiba
Mas que sua mãe que é minha avó

Que mágico! Ele pergunta para a mãe sobre sua história, que, ao invés de começar contando sobre a própria vida, começa pela vida da bisavó do cantor, dizendo como foi conhecer o bisavô, se casarem e construir uma família.

A mesma coisa com o pai.

Perguntei para o meu pai
Pai, onde é que ocê nasceu?
E ele então me respondeu
Que nasceu lá em Recife
Mas seu pai que é o meu avô

E, depois de ouvir as histórias tanto dos bisavós paternos quanto dos maternos, ele chega à conclusão de que, se aquelas histórias não tivessem acontecido, ele provavelmente nem haveria nascido (rimou!).

Eu não teria bisavô
Nem bisavó, nem avô
Nem avó, nem pai
Pra casar com a minha mãe

Então eu não contaria
Esta história familiar
Pois eu nem existiria
Pra poder cantar
Nem pra tocar violão

Quando eu escutava essa música na infância, via o Paulo Tatit como uma criança contando uma história de vida. E ficava pensando na minha também. De onde será que minha bisavó é? Como ela conheceu meu bisavô? Será que eu existiria se minha mãe não tivesse conhecido meu pai?

Tantas perguntas surgiam a partir de uma música infantil que eu adorava. E hoje percebo que ela fala sobre a importância de saber sua ancestralidade, entender sobre quem veio antes de você e honrá-los, e também sobre o efeito borboleta.

No caso da música, se não fosse por uma barata, talvez o cantor nem existiria. E na vida, quantas coisas mínimas não culminam em outras que, quando a gente vê, estamos em um cenário que antes era inimaginável?

Viva o grande Palavra Cantada!

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Uma resposta para “A primeira vez que tive contato com o efeito borboleta & ancestralidade”

  1. Avatar de Luly Lage

    Quando eu era criança, amava que me contassem a história de como meus avós, dos dois lados, se conheceram, e de como cada filho nasceu, e de como cada um dos meus primos veio até chegar em mim. Acho que sempre fui fascinada pela memória, e no fim continuo sendo, não só profissionalmente, mas também pessoalmente, fazendo questão de registrá-la na internet, no papel, em fotos no HD. Sendo assim, achei tão lindo ler sobre essa sua epifania diante de Palavra Cantada – um jeito tão DELICADO de cair na real sobre como cada detalhe da vida dos seus ancestrais resultaram em você! A música em si, que eu não conhecia, achei muito fascinante… Não sei se existem muitos “ses”, se não existe nenhum, mas sei que pensar neles nos ajuda até a traçar os “ses” do futuro!

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