Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Charlie Brown Jr.
Que só quer brincar e não tanta responsa
Ao pensar em um post bacana de dia das crianças para fazer no perfil da Bee You, me dei conta de que, se tem uma coisa que eu faço, é manter minha criança viva dentro de mim.
Minha brincadeira favorita sempre foi a de professora. Eu amava escrever na minha lousa, ensinar para as bonecas e usar os livros de professora que minha mãe tinha, já com as respostas certas marcadas em cada pergunta. Corrigia lições em folhas em branco, dava bronca quando necesário e fazia até pausa para o recreio.
Aos 17 anos, me tornei professora de verdade, comecei a dar aulas de dança. Hoje, aos 26, ensino sobre criatividade e criação de conteúdo.
Sempre gostei de fazer tudo o que era arte (no sentido artístico da palavra mesmo). Desenhava, pintava, tentava reproduzir o que via no Art Attack. Também amava dançar! Dançava em frente à TV, tentando copiar as coreografias dos DVDs que tinha em casa. Algumas eu aprendi e sei até hoje, outras eu inventava.
E não é que trabalhei por anos com dança?
A última coisa que me lembrei, foi que minha mãe sempre escutava a mesma reclamação nas reuniões de escola: “a Vitória é uma ótima aluna! Dedicada, inteligente… mas ela conversa muito com os colegas na sala de aula.”
E hoje eu trabalho com comunicação e dependo de me comunicar para manter meu trabalho.
Que loucura, né? Consegui, à minha maneira, manter a criança que existe em mim, mesmo na vida adulta e com tantas preocupações. Faço o que posso e sei que minha criança estaria extremamente feliz.
Aliás, o resultado do post foi esse.

Essa música do Charlie Brown Jr. é muito gostosinha de se ouvir e também me traz uma sensação estranhamente gostosa. Digo estranhamente porque não tenho nenhuma lembrança específica com essa música, nem a ouvia antigamente. Mas ela me traz uma sensação de nostalgia, que não consigo explicar.
Adoro o trecho mencionado no iníco do post e tenho pensado cada vez mais sobre quão importante é não só vermos o mundo com os olhos de criança mas, também, não complicar tanto as coisas, como elas fazem extremamente bem.
Estou assistindo o desenho Ei, Arnold! e ele me deixa tão reflexiva sobre a vida. É aquele clássico infantil que contém mensagens fortes demais para entendermos enquanto ainda somos crianças, mas que, bate diferente ao assistirmos depois de adultos, sabe?
O que mais me admira nos personagens do desenho é justamente a descomplicação. Todos são crianças, mas são muito mais maduros que adultos. Porque todas as situações se resolvem facilmente.
Não existe ficar remoendo o que aconteceu por dias, demorar para perdoar alguém por orgulho ou simplesmente sentir a necessidade de ouvir um pedido de desculpas.
Apenas: aconteceu, resolveu e ponto. Simples assim.
Deveríamos ser 100% parecidos com as crianças nesse âmbito.

Quando é que deixamos de ser crianças?
Não acho que deixamos. Na verdade, acho que isso é muito pessoal e depende de cada um.
Penso que, conforme vamos crescendo, vivenciando coisas novas, quebrando a cara e entendendo melhor como funciona sobreviver no mundo atual, deixamos nossas crianças de lado, aos poucos. É como se elas ficassem adormecidas, no fundo de nossas almas, sem poder acordar, porque jamais permitiríamos que elas asusmissem o controle.
Mas, às vezes, elas despertam e aparecem. Quando passamos um tempão rindo de algo bobo, quando nos deslumbramos com coisas simples e bonitas, quando ficamos genuinamente curiosos por algum assunto e queremos fazer mil perguntas sobre ele, quando inventamos coisas novas… quando não complicamos as coisas.
Se conseguimos apenas viver um dia de cada vez, felizes, nossa criança está acordada.


