Criando Crianças Criativas na prática - as dicas de Bianca Sollero

Eu já falei muito por aqui sobre os cursos incríveis do Murilo Gun de criatividade. O último que fiz foi o Criando Crianças Criativas (CriCriCri), que há muito tempo me chamava atenção e eu tinha muita vontade de fazer.

O curso é grande, tem muito conteúdo legal e a gente aprende a nutrir/incentivar a criatividade das crianças e a nossa também.

Assim como nos outros cursos, pensei em trazer um post para cá sobre, mas tem tanto conteúdo que não caberia em uma postagem só. Por isso, decidi listar pra vocês algumas lições que aprendi com a Bianca Sollero durante o curso.

Se vocês gostarem do assunto, posso trazer muito mais conteúdo sobre o curso em outros posts.

Leia também: Sim, é possível aprender sobre criatividade



Bianca Sollero é Psicóloga e Arteterapeuta e, de acordo com ela mesma, reacende foguinhos internos de adultos por meio de jornadas terapêuticas criativas, além de acreditar na criatividade como habilidade imprescindível para viver com mais leveza, equilíbrio e autenticidade.

Durante o curso, temos diversas aulas e módulos sobre como trabalhar a criatividade com as crianças, e descobrimos que precisamos nutrir 5 aspectos nelas: vontade de aprender, imaginação, curiosidade, paixão e coragem; e ao final de cada um desses aspectos, havia um vídeo da Bianca ensinando a nutrir cada um deles na prática, acompanhando alguns mantras importantes para usarmos nesse processo, e é sobre essa contribuição dela no curso que veremos hoje aqui.

Vontade de aprender

Uma reflexão muito legal que tivemos no curso foi sobre a "régua da liberdade", quanto de liberdade devemos dar a uma criança? Será que somos super-protetores ou sub-protetores? Há como encontrar um meio termo? E pensando nisso, a Bianca nos traz dois pontos: não devemos fazer as coisas pelas crianças, mas também não devemos deixar tudo nas mãos delas. 

A criança deve ter liberdade de escolha, porém ela não tem maturidade para fazer escolhas muito complexas. Ela também consegue fazer várias coisas sozinhas, e se precisar de ajuda, certamente irá pedir.

Sobre as escolhas, o Murilo deu um exemplo super legal envolvendo livros: na escola existem leituras obrigatórias para se fazer um trabalho, por exemplo. Mas, convenhamos que é muito chato ter que ler um livro por obrigação. Porque não dar opções de escolha? Para não virar uma bagunça e cada aluno escolher um livro completamente diferente do outro, o professor pode, por exemplo, selecionar 10 livros e dar a opção de cada aluno escolher o que quiser dentre eles. É uma "liberdade guiada". Esse exemplo fez total sentido pra mim, porque essa situação já aconteceu comigo na escola: eu não li nenhum livro que era obrigatório para fazer trabalhos durante o Ensino Médio, fiquei com as resenhas e resumos. Já na sétima série, lembro que uma professora de inglês pediu que lêssemos um livro para fazer um trabalho, e nos deu três opções de títulos diferentes para que cada aluno escolhesse o que quisesse. Eu escolhi Um Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle, li o livro inteiro, adorei, e o tenho até hoje.

Sobre a criança conseguir fazer as coisas sozinha, é verdade, nós que somos apressados demais. Se uma criança está demorando pra amarrar o cadarço do tênis, por exemplo, logo aparece um adulto falando "deixa que eu amarro pra você", mas por que não deixar ela tentar? Se ela não tentar, nunca vai aprender. E caso não consiga, ela irá pedir ajuda.

O primeiro mantra dessa parte é para quem faz muito as coisas para a criança, e precisa deixar ela tentar mais:
"Eu falho e uma hora eu vou faltar."

O segundo é para quem, ao contrário do primeiro, deixa tudo na mão da criança:

Não posso negligenciar a minha autoridade como educador."

Imaginação

Imaginar é demais! Seja em brincadeiras, ou quando estamos quietos com a cabeça longe. Incentivar isso na criança é importante, e brincar com ela também. Não vou me estender muito sobre o assunto, mas vou deixar uma frase para vocês pensarem sobre: quem decide o que é brinquedo é quem está brincando. Viu?

3 dicas para nutrir a imaginação na prática:
  1. Respeitar o silêncio e a quietude da criança - ela também pode viver um pouco no "mundo da lua";
  2. Ler bastante para a criança - afinal, a grande graça da leitura e o porque muita gente prefere livros do que filmes é séries, é o fato de poder imaginar toda a história e cenário como você quiser;
  3. Permitir para a criança momentos de tédio - ela com certeza vai ter uma boa ideia do que fazer.
O primeiro mantra é para quem não respeita os momentos de silêncio da criança, acha que "se esta quieto é porque está aprontando":
"Silêncio também educa."

O segundo é para quem não permite momentos de tédio, quer gastar toda a energia da criança durante o dia para que ela não dê trabalho a noite, na hora de dormir:

"Eu sou responsável por otimizar a energia da criança."

Curiosidade

Curiosidade é a fome de aprender, e todos nós deveríamos ser curiosos e exploradores!

Para nutrir a curiosidade da prática, podemos substituir alguns hábitos por outros, como por exemplo:
  1. Ao invés de responder diretamente e rapidamente todas as perguntas que a criança fizer, podemos devolver outras perguntas para conduzir a aprendizagem através da nossa resposta;
  2. Ao invés de sempre oferecer as mesmas alternativas para tudo, podemos oferecer novas possibilidades;
  3. Ao invés de implementar uma rotina excessivamente rígida, podemos trabalhar a flexibilidade e permitir vez ou outra que a vontade da criança seja feita.
O primeiro mantra é para quem sempre faz as mesmas coisas e mantém a mesma rotina rígida sempre:
"Bora fazer diferente?"

O segundo é para quem permite a criança ser tão exploradora, que isso acaba passando um pouco dos limites:

"A curiosidade não pode invadir privacidade e nem intimidade."


Paixão

Tudo o que é feito com paixão é mais legal (e bem feito). Crie crianças apaixonadas por si mesmas, pelos sonhos e pelos outros. E ajude elas a alimentar suas paixões também.

Para isso, veja exemplos de atos que destroem a paixão das crianças:
  1. Orientar com rigidez como a criança tem que fazer as coisas;
  2. Desvalorizar sua participação, conquistas e vontades;
  3. Comparar e sobrecarregar a criança com as suas expectativas.
Se você faz alguma das três coisas citadas acima, pare agora e começe a valorizar o esforço mais do que as coisas acabadas, e sempre mostre para a criança o impacto que ela causa (exemplo: "fulano ficou muito feliz com o seu elogio!"; "você machucou o colega, pergunte como ele está."; "você terminou algo! como se sente?").

O primeiro mantra é para quem coloca suas expectativas em cima da criança (acontece muito com pais/mães):
"Meu filho é diferente."

O segundo, é para quem apoia tanto a criança e quer tanto ajudá-la a conquistar seus objetivos, que acaba deixando si mesmo de lado:

"Eu também existo."

Coragem

Chegamos ao último tópico. Ter coragem é difícil, e sabemos bem disso. Por isso é importante nutrir a coragem das crianças e não transferir nossos medos para elas.

Podemos fazer isso substituindo 3 hábitos por novos:
  1. Ao invés de impedir a criança de fazer algo sem esclarecer o motivo, podemos esclarecer porque ela não pode fazer as coisas e orientá-las a perceber riscos ("o que pode acontecer com você se tentar subir essa escada sozinho?");
  2. Ao invés de exagerar as consequências negativas de algo que a criança fez/vai fazer, podemos estimular a auto percepção e a auto avaliação;
  3. Ao invés de ameaçar a criança de alguma forma, podemos ressignificar o erro e o fracasso.

Essas foram algumas das inúmeras lições que aprendi com o curso e achei legal compartilhar por aqui. Caso queiram, posso trazer mais assuntos sobre o tema.

 

2 comentários

  1. Muito agregador e pertinente esse assunto.Adorei!Parabéns .Aunda preciso ler Roube como um artista !

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