Julgar as pessoas pelos livros que elas lêem é uma grande bobagem

 Não é?

Hoje cedo abri meu e-mail e fui ler uma newsletter que eu adoro acompanhar. Assim como eu faço quando escrevo a Newsletter do blog, nessa que eu li hoje, sempre tem alguns links interessantes ao final. E eu adoro visitar todos. Um dos links que abri era um texto de um site sobre "como ler mais na era digital". Estamos cercados de aparelhos eletrônicos e o tempo todo conectados em redes sociais, como sair desse limbo e ler mais livros?

Não vou fazer comentários sobre todo o texto que li, mas ele me fez repensar coisas que eu já venho matutando – e que me incomodam – há algum tempo.


Eu sinto que criou-se um grande mito sobre livros e leituras. Quem lê livros é mais inteligente do que quem não lê. Será mesmo? 

Uma grande problemática é que muitas pessoas julgam os livros que as pessoas lêem. "Quem lê livros é mais inteligente", mas só se esses livros forem sobre autoconhecimento, alguma área de estudo específica, a vida de uma pessoa renomada, etc. Se for um livro de ficção com uma história que nunca aconteceu, não serve de nada. Esse é um pensamento que eu considero tão retrógrado, que dá até uma tristeza. Os livros tem muitos papeis: informar, ensinar, incentivar a leitura, melhorar o vocabulário, melhorar a escrita, criar novos universos, fazer imaginar, entreter, entre tantos outros. Um livro não é "menos válido" que outro pelo seu tema. Na vida existe gosto pra tudo, e quem não gosta de ficção, que não leia.

Outra problemática (que é o "grande assunto" desse post) é a afirmação de que quem lê livros é mais inteligente – independentemente do gênero. Será?

Como eu falei dois parágrafos acima, os livros tem vários papéis importantes, mas será que essas funções são incentivadas apenas pelos livros? E outra: nós só somos capazes de ler livros? 

O homem que não gosta de ler livros, mas todas as manhãs abre seu site de notícias favorito e lê as matérias mais importantes do dia para saber o que está acontecendo no mundo, está realizando uma leitura. A menina que não gosta de ler livros, mas lê resenhas de produtos de beleza imensas em blogs o dia todo, está realizando uma leitura. A menina que é fã do Harry Styles e não gosta de ler livros, mas passa madrugadas acordada lendo vários capítulos de uma fanfic sobre o seu cantor favorito, está realizando uma leitura. O menino que não gosta de ler livros, mas é viciado em séries e todo dia assiste pelo menos um episódio de Brooklyn 99 legendado, está realizando uma leitura. A mulher que não gosta de ler livros, mas adora comprar a revista Cláudia na banca de jornal e ler as matérias, está realizando uma leitura. E eu poderia ficar horas discorrendo sobre as diversas leituras que nós realizamos mesmo sem os livros.

Mas o que essas pessoas desenvolvem e aprendem sem ler livros? Vamos analisar cada um:

O homem que lê notícias em seu site favorito todos os dias está ficando mais informado sobre os acontecimentos do mundo, está adiquirindo um vocabulário maior, está lendo textos que com certeza foram revisados inúmeras vezes e são escritos corretamente, podendo aprender algo sobre redação com eles.

A menina que lê resenhas de produtos em blogs está apoiando o trabalho da pessoa que ficou horas escrevendo aquela resenha, pode estar adiquirindo um vocabulário maior, está se baseando em outra opinião para saber se o produto que ela tanto quer comprar vale a pena ou não.

A menina que passa madrugadas lendo uma fanfic está imaginando um mundo diferente do que a gente vive, imergindo na história lida e escapando um pouco da nossa cruel realidade. Vou parar de citar o fato de adiquirir um vocabulário maior, pois isso pode acontecer em todas as leituras. Ela está se entretendo.

O menino que sempre assiste Brooklyn 99 legendado além de estar se entretendo e realizando uma leitura, está treinando seu inglês, e conhecendo novas palavras naquele idioma.

A mulher que adora a revista Cláudia está lendo as matérias incríveis que aquela revista tem, conhecendo coisas novas, e por mais que uma matéria não tenha relação nenhuma com a vida daquela mulher e com a profissão que ela exerce, ela com certeza consegue extrair algo e deixar guardadinho em seu repertório para usar quando precisar em algum processo criativo.

Todo esse texto foi pra dizer que: ninguém é melhor que ninguém só pelo fato de ler livros. Eles não querem dizer nada. Nós conseguimos realizar inúmeras leituras em diversas situações, e eu garanto que em todas elas conseguimos extrair algo bom. Vamos julgar menos e nos preocupar mais em fazer o que nos agrada.

2 comentários

  1. Imprevistos Musicais disse...
    Esse é o post mais perfeito que li esse ano haha eu concordo com tudinho que você escreveu! Preconceito literário é o fim dos tempos, e ninguém precisa de mais um problema pra lidar com tanta coisa rolando no mundo!

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